Conselheiro na disputa

A nona edição do Prêmio FIESP/SESI-SP de Cinema traz em sua seleção de filmes o longa Antonio Conselheiro - O Taumaturgo dos Sertões.

 Os filmes participantes serão exibidos gratuitamente de 20 de maio a 02 de junho de 2013 no Centro Cultural FIESP, em São Paulo - SP.

O público também poderá votar no filme escolhido através do site: www.sesisp.org.br/cultura.

Que vençam os melhores!

Exibição especial em Canudos


Antonio Conselheiro - O Taumaturgo dos Sertões será exibido na programação do 6º Cine Fest Brasil - Canudos, que acontece entre os dias 30 de abril e 19 de maio no município onde até hoje a história do líder popular está registrada.

Serviço

O que: Exibição de Antonio Conselheiro - O Taumaturgo dos Sertões
Onde: Praça Municipal de Canudos, Canudos (Bahia)
Quando: 18 de maio (sábado)
Quanto: Grátis

"Antonio Conselheiro - O Taumaturgo dos Sertões" na 8ª semana

O filme sobre a saga de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos chega na oitava semana em Salvador.
Ainda não assistiu?!

Veja os cinemas:

Petrovich: vida, palco e telas


Glauber Rocha e Petrovich nas filmagens de Idade da Terra (1980)
Carlos Petrovich, que vive a figura do milagreiro nordestino em “Antônio Conselheiro – O Taumaturgo dos Sertões”, é reconhecido por sua carreira de ator e diretor de teatro. Apesar de ter sido consagrado na Bahia, Petrovich nasceu no Rio Grande do Norte. Ele veio estudar teatro na Bahia e foi integrante da primeira turma de estudantes da Escola de Teatro da UFBA. O ator foi também um dos fundadores do Teatro Vila Velha e na década de 70 assumiu a direção do Teatro Castro Alves.

No cinema estrelou em filmes importantes como Sol Sobre a Lama, de Alex Viany (1963), O Caipora, de Oscar Santana (1964), A idade da Terra, de Glauber Rocha (1980) e Jenipapo, de Monique Gardemberg (1995).   

Petrovich começou a gravar “Antônio Conselheiro – O Taumaturgo dos sertões” em 1987, no entanto, devido a razões políticas e financeiras, como o confisco do financiamento pelo governo Collor e a extinção da Embrafilme em 1990, a produção do filme foi prejudicada. Além disso, também no início da década de 1990 um incêndio consumiu 40% dos negativos e 100% do som original da película. O processo de restauração e finalização foi retomado apenas em 2009.

Infelizmente, o saudoso Petrovich não está mais entre nós para ver o resultado de sua brilhante atuação no papel de um dos maiores revolucionários da história do sertão alcançar as telonas, mas sua memória permanecerá viva através do cinema.


Petrovich como Conselheiro
“O espectador vai sendo tomado pela personalidade mítica do Conselheiro de Canudos  que é admiravelmente encarnado pelo saudoso ator Carlos Petrovich, numa interpretação que eu diria científico-sentimental insuperável do taumaturgo cearense que sintetiza as perplexidades do oprimido” 
José Umberto, cineasta 

“O ator que faz Conselheiro é extraordinário, sua atuação já seria um esplendor somente andando, mas é também fala, verbo, discurso, pois quem tirou Cristo da cruz para convertê-lo em Cristo vivo irado foi Antonio Conselheiro” Gilberto Vasconcelos, sociólogo, jornalista e escritor  

Plasticidade alquímica

Por José Walter Lima (diretor do filme)

Carlos Petrovich interpreta Antônio Conselheiro.
Após a conclusão do filme “Antonio Conselheiro – O Taumaturgo dos Sertões” comecei a fazer uma análise crítica, e cheguei à conclusão que é muito difícil fazer um filme-ensaio. Porque o filme experimental já nasce estigmatizado, rejeitado.

Normalmente existe um preconceito e uma má vontade para com esse tipo de produção. Atualmente é quase um suicídio realizar um filme de arte.

Antes nós tínhamos a censura da ditadura, hoje nós temos a censura de mercado e dos festivais, que exigem um padrão dentro dos parâmetros estabelecidos pela cultura mainstream, que não aceita a desconstrução da narrativa convencional.

 Nesse momento do cinema de mercado o  “Conselheiro” está indo na contra-mão do sistema, está na contra-corrente. Porque ele foi concebido para ser poético, filosófico, pictórico, imagético e reflexivo, dando ênfase na cor (cinema – pintura) e na trilha sonora, como elementos fundamentais para a funcionalidade dramática.

A construção de uma estrutura não convencional exige uma desconstrução narrativa experimentalista, através de uma proposta vanguardista que incorpora vários elementos de outras linguagens, agregando sentimento e emoção para tentar uma sinestesia entre o autor e o espectador. A pulsação obsessiva é expressada através do imaginário popular e do erudito, do realismo e do delírio.

Antonio Conselheiro, o Jesus Cristo brasileiro






Por Gilberto Felisberto Vasconcellos, 
Sociólogo, jornalista, colunista da revista Caros Amigos
e autor do livro Glauber Pátria Rocha Livre 

Waltinho fez um filme corajoso e inventivo sobre a medula da civilização brasileira: Antonio Conselheiro.

Canudos está no ser e não ser da nossa gente. Ou todo mundo sobe socialmente e se dá bem, ou vamos todos para o tombo. A metáfora mar/sertão transcende a localização geográfica, por isso está na literatura de Euclides, de Rosa e no cinema de Glauber Rocha, de onde procede a inteligência imagética de José Walter Lima.

O ator Carlos Petrovich que faz Conselheiro é extraordinário, sua atuação já seria um esplendor somente andando, mas é também fala, verbo, discurso, pois quem tirou Cristo da cruz para convertê-lo em Cristo vivo irado foi Antonio Conselheiro. O filme de Waltinho faz jus a esta verdade histórica tecida na beleza da arte.

José Walter Lima, Cineasta Maior









 Por Sante Scaldaferri
Artista plástico



Assisti, em casa, comodamente, o filme Antonio Conselheiro, O Taumaturgo dos Sertões, de José Walter Lima, foi para mim uma alegria imensa. Alegria, contentamento, tudo de bom que senti, ao assistir, finalmente uma obra cinematográfica de primeiríssima qualidade. O filme, que deverá, se houver competência, ser enviado para participar nos maiores festivais internacionais. Se for vai ganhar.

De onde vem este entusiasmo. Vem de tudo. O filme é uma obra prima. Tudo esta perfeito. Ele tem unidade. A direção, o argumento, o roteiro, a narração, os atores, a iluminação, a fotografia, as locações, a montagem, a música, o conteúdo místico, o messianismo, os beatos, a religiosidade popular, tudo está perfeito. Tudo no devido lugar. E tem mais. No final, nos créditos, na apresentação da equipe, os nomes aparecem legíveis e com um tempo bom de leitura.

José Walter Lima, com sua sensibilidade, conhecimento, e técnica, chega “ao seu tempo de madureza”, na difícil e chamada sétima arte.