José Walter Lima, Cineasta Maior









 Por Sante Scaldaferri
Artista plástico



Assisti, em casa, comodamente, o filme Antonio Conselheiro, O Taumaturgo dos Sertões, de José Walter Lima, foi para mim uma alegria imensa. Alegria, contentamento, tudo de bom que senti, ao assistir, finalmente uma obra cinematográfica de primeiríssima qualidade. O filme, que deverá, se houver competência, ser enviado para participar nos maiores festivais internacionais. Se for vai ganhar.

De onde vem este entusiasmo. Vem de tudo. O filme é uma obra prima. Tudo esta perfeito. Ele tem unidade. A direção, o argumento, o roteiro, a narração, os atores, a iluminação, a fotografia, as locações, a montagem, a música, o conteúdo místico, o messianismo, os beatos, a religiosidade popular, tudo está perfeito. Tudo no devido lugar. E tem mais. No final, nos créditos, na apresentação da equipe, os nomes aparecem legíveis e com um tempo bom de leitura.

José Walter Lima, com sua sensibilidade, conhecimento, e técnica, chega “ao seu tempo de madureza”, na difícil e chamada sétima arte.

A narrativa foge do lugar comum. E um grande achado. Não é como em muitos filmes semelhantes. Não é descritivo dos episódios. É pura ficção que, ao mesmo tempo, narra o que ocorreu em Canudus. Fantástico. Não sei, mas talvez se pudesse dizer que ela chega a ser inédita. Não recorre aos milhares de extras travando batalhas que se presume foram assim realizadas. Entretanto oferece os excelentes desenhos de Trípoli Gaudenzi na apresentação e depois lhes dá movimento como indicação das batalhas.

O filme tem achados sensacionais. Um deles é um enviado do padre Cícero dando um recado de solidariedade, tem a resposta que o caso dele (Conselheiro), não é regional, mas nacional.

Os atores, todos, estão perfeitos.  Carlos Petrowict (Corija) tem a oportunidade de realizar sua maior interpretação. Oriundo como um dos primeiros alunos a entrarem na recém fundada Escola de Teatro, é, sem duvida, um de seus maiores frutos. Ele não interpreta a si próprio. Ele interpreta o personagem. Isto é que diferencia os atores que possuem, além dos carismas doados pelo Espírito Santo, adquirirem a capacidade de apreender a técnica. Seja lá qual for a arte. A seqüência do balé/discurso/eloqüente/, interpretada quase no final por Petrô, é, com certeza, uma das melhores do cinema brasileiro. O filme de Waltinho é Shakespeariano e é ao mesmo tempo uma grande contribuição à identidade cultural Brasileira/Nordestina. Pode? Pode sim.

A fotografia de Vito Diniz é diferente. Tem uma iluminação de pictórica. A linguagem cinematográfica contemporânea tem uma vantagem sobre as outras que é o acréscimo das novas tecnologias. O grande parceiro que concorreu para o brilhantismo do filme foi o tempo. Caso tivesse sido terminado, quando foi realizado,seria bom, mas não teria os elementos adicionados que o tornaram num dos melhores filmes dos últimos tempos. Infelizmente muitos dos que deram a sua contribuição já se foram. Porém o importante é o que eles deixaram: a obra. No artista o que importa é a sua obra e no ator correspondem as interpretações.

Desculpas aos críticos de cinema por esta intempestiva e audaciosa interferência não orgásmica ou filosófica/intelectual, nos seus misteres.

Tenho Dito.

2 comentários:

  1. Sante! Achei você...tudo isso porque ontem, no Clube do Professor, ví um trailer do filme e resolvi pesquisar! Dê notícias: bartiramartins@hotmail.com
    Beijins mis!...

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  2. Grande Sante!! Desejo cada vez mais felicidade ao senhor!!!

    Gabriel Nunes

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